domingo, 24 de fevereiro de 2013

O papel de feedback no processo de aprendizagem on-line - Desafios, cuidados e possibilidades

                                           Fonte: http://i3.ytimg.com/vi/ZNOHuqGk2oM/hqdefault.jpg

A interatividade no ambiente virtual de aprendizagem é essencial à uma boa comunicação e interação entre aluno e tutor. Nesse processo interativo, o tutor deve proporcionar um feedback rápido e pontual sobre o desenvolvimento do aluno para que ele possa detectar pontos precisos que podem ser melhorados na realização de futuras atividades. A dimensão temporal é um quesito essencial na emissão do feedback, pois o aluno precisa sentir que está sendo acompanhado durante seu processo de aprendizagem para que não perca a motivação. Nesse sentido, um retorno rápido sobre suas atividades pode ser um ponto de apoio importante ao seu desenvolvimento, já que com a detecção de suas falhas ele poderá progredir progressivamente e ver resultados positivos concretos em curto prazo. Deve haver comprometimento de ambas as partes para o sucesso da autonomia na aprendizagem, mas o tutor tem papel fundamental na manutenção do interesse e na motivação do aluno em caminhar com as próprias pernas na construção do seu próprio conhecimento.

Deve-se tomar alguns cuidados para emitir feedbacks aos alunos de EaD, como o respeito às ideias do educando, reconhecimento do que foi produzido, elaboração de dicas para melhoria e problematização do que foi solicitado para instigar a reflexão sobre a ação e a consequente evolução do processo educativo em direção à autonomia. O feedback precisa ser pontual, específico, rápido, claro, construtivo e animador para direcionar o aluno ao caminho certo, principalmente no início do processo de ensino-aprendizagem, onde o envolvimento do aluno dependerá diretamente da proatividade do tutor. Além disso, este retorno só será efetivo e consistente se for dado antes da execução da atividade subsequente, devendo também ser precedido por orientações detalhadas para a execução das atividades, com esclarecimentos sobre os objetivos, a importância e os critérios utilizados para avaliação.

O tutor deve orientar, esclarecer, ter domínio de conteúdo, conhecimento das ferramentas tecnológicas e estar apto a discutir questões de ordem técnica com paciência e proatividade, estimulando o aluno a pesquisar, filtrar as informações disponíveis, fazer uso da ética na produção de textos e adotar uma postura crítica e ativa frente às informações disponíveis. O apoio do tutor tem ainda maior importância no início do processo de estudo, no qual o aluno está começando a compreender como ocorrem as relações no ambiente virtual de aprendizagem e ainda possui muitas dúvidas acerca da efetividade de um curso não-presencial. Nesse contexto, o tutor deve mostrar ao aluno que está acompanhando seu processo de perto e individualizadamente, fornecendo todas as instruções necessárias e comentários personalizados, evitando assim sentimentos de isolamento e desconexão (Mill, 2008).

O feedback do tutor ao aluno em ambientes virtuais é o motor que mantém a engrenagem da aprendizagem em EaD funcionando com qualidade. Para tanto, tutor e aluno devem otimizar a organização de seu tempo de pesquisa e produção textual para que não haja sobrecarga de atividades, nem atraso na comunicação virtual. O estabelecimento do vínculo afetivo decorrente do acompanhamento e do interesse do tutor pelo processo de desenvolvimento cognitivo do aluno é também um fator decisivo na perseverança do aluno em superar os desafios propostos. Nesse sentido, há recorrente afirmação de uma das características mais importantes ao perfil do tutor à distância: a proatividade. Por meio desta predisposição em auxiliar, o tutor resgata toda a viabilidade do processo de EaD ao fornecer um feedback consistente, personalizado e esclarecedor ao aluno.

Dentre os grandes desafios na manutenção da eficiência da comunicação virtual, especificamente com relação à temporalidade dos feedbacks, está a gestão organizacional do tempo para as atividades de tutoria. O tutor precisa organizar bem o seu tempo de gestão da plataforma de aprendizagem para que não haja sobrecarga de trabalho, acúmulo de tarefas e, principalmente, ineficiência no acompanhamento do aluno. Para tanto, a adoção de um planejamento e de um cronograma de atividades pode ser bastante útil antes do início do curso. Mill (2006) descreve e classifica algumas dicas para um bom desenvolvimento da tutoria virtual tais como: convencimento de afinidade com o trabalho; organização do tempo com respeito aos horários de descanso; disciplina com ritmo e periodicidade; expressão e clareza na exposição de ideias, com objetividade e coerência gramatical; compartilhamento e paciência com o aluno; dedicação profissional com aperfeiçoamento constante; responsabilidade; cuidado consigo mesmo, com reserva de tempo para o lazer, família e saúde; manutenção do empenho e da criatividade como constantes desafios; competência tecnológica; competências sociais e profissionais, com uso do bom gerenciamento de pessoas.

Dessa maneira, o tutor pode otimizar suas atribuições, estar apto a auxiliar no bom desempenho do aluno, encorajando o processo de autoria, o desenvolvimento da autoconfiança e a exposição das ideias. Pela potencialização da capacidade do aluno, o tutor fortalece sua atuação, obtendo feedback positivo de todo seu esforço e direcionamento ao processo de ensino-aprendizagem. O feedback servirá então como o principal direcionamento da caminhada rumo à autonomia, com estímulo à responsabilidade, adoção de postura ativa frente às informações disponíveis e ao desenvolvimento pessoal. Com a atuação essencial do tutor, a EaD ganha estrutura e espaço como modalidade desafiadoramente efetiva à educação do futuro. 

Referências:

MILL, D., (2006). Educação a distância e trabalho docente virtual: sobre tecnologia, espaços, tempos, coletividade  e  relações  sociais  de  sexo  na  Idade  Mídia.  2006.  322f.  Tese  (Doutorado em Educação) — Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais (FAE/UFMG).  

MILL, D., ABREU E LIMA, D., LIMA, V. S., TANCREDI, R. M. S. P. (2008). O desafio de uma interação de qualidade na Educação à Distância: o tutor e sua importância nesse processo. 2008. Cadernos da Pedagogia. Ano 02, Volume 02, Número 04.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Uso pedagógico do Google Docs e interatividade no trabalho do professor-tutor no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)

                                Fonte: enableedu.com.br/tag/ead/

A promoção de variadas estratégias de interatividade no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) é cada vez mais importante ao processo de ensino-aprendizagem em EaD. A interatividade permeia diversas esferas das relações sociais e, considerando seu uso educacional à distância, qualquer meio tecnológico de informação, interação e comunicação deve assumir a dimensão de ferramenta pedagógica e de objeto de estudo. 

Belloni (2005) afirma que a apropriação dos recursos tecnológicos nos processos educacionais deve ser um processo criativo, e não de consumo instrumental e passivo. O uso simplesmente instrumental das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) corresponde a uma concepção tecnicista e redutora do processo de aprendizagem, enquanto a reflexão sobre o conteúdo das mídias, com apontamentos ao caráter complexo dos processos cognitivos envolvidos no uso de tais tecnologias pode conduzir à uma apropriação criativa e desenvolvimento de potenciais habilidades de uso e produção em estudantes e professores.

No sentido de promover o desenvolvimento das habilidades cognitivas e a autonomia do estudante, a EaD propõe diversas atividades individuais e interativas aluno/aluno, não apenas no AVA, mas em ambientes externos, com a utilização de recursos como Skype, Msn, Hangout, redes sociais, Google Docs, dentre outros... Com apoio destas ferramentas de interações síncronas e assíncronas, o aspecto coletivo de construção do conhecimento interliga os atores em EaD, estabelece vínculos sociais e reforça a importância de aprender com o outro.

Dentre as ferramentas disponíveis para a produção de textos, o pacote de aplicativos Google Docs é uma alternativa viável e interativa. Atualmente compõe-se de um processador de texto, um editor de apresentações, um editor de planilhas e um editor de formulários. Alguns recursos úteis são a portabilidade de documentos, permitindo a edição do mesmo texto por mais de um usuário e em tempo real, a possibilidade de publicação diretamente em blogs e a compilação em formato PDF. Com o auxílio de um tutorial, o professor-tutor pode propor atividades de construção conjunta de textos e apresentações sobre determinado assunto aos grupos de trabalho previamente estabelecidos. Após a realização do trabalho com a utilização do Google Docs, o professor-tutor poderá trazer novamente os grupos ao AVA para postagem de seus resultados, debates sobre o assunto proposto e a interatividade da ferramenta nos fóruns de discussão.

Dentre as possíveis limitações ao uso potencial do Google Docs, estão a necessidade prévia de encontros síncronos do grupo para o planejamento da atividade. As modificações no trabalho podem ser feitas assincronamente, mas é necessário estabelecimento de um tempo mínimo de encontro em tempo real para que sejam traçadas metas relativas ao desenvolvimento produtivo do grupo e para conclusão dos ajustes finais. Sem esses encontros de comunicação entre o grupo a produção torna-se fragmentada, individual e pouco interativa.

Ferramentas externas aos AVAs podem dar suporte à interatividade pedagógica, desde que os resultados de sua produção sejam redirecionados ao ambiente de aprendizagem para reflexão, discussão com o grupo e fechamento do assunto proposto. Assim, o aluno pode passear por diferentes ambientes mantendo o foco na questão proposta, descobrindo novos caminhos, diferentes fontes informativas e interagindo com outras pessoas, opiniões, estilos e perspectivas na construção de seu conhecimento.

A integração entre as TICs e processos educacionais é essencial ao atual contexto educacional, presencial ou à distância, pois todos os setores da sociedade as utilizam diariamente em quaisquer áreas de atuação. Nesse sentido, o professor-tutor deve ter formação continuada para utilização dessas tecnologias na educação, pois a forma com que o sistema educacional incorpora as TICs determina aumento ou diminuição da inclusão digital. A concepção de uso criativo das TICs como aliadas ao processo de emancipação e autonomia individual deve ter a democratização de acesso aos meios tecnológicos como horizonte, para que cidadãos livres, críticos e autônomos possam estar aptos a pensar um mundo sem paredes em um futuro próximo.


Referência: 


BELONNI, M. L. 2005. O que é Mídia-Educação. 2. ed. Autores Associados. Coleção Polêmicas do Nosso Tempo. Campinas-SP.